PATROCÍNIO,
O BOM NEGÓCIO DAS PISTAS

Motor roncando, chassi ajustado, pneus de composto especial, gasolina aditivada. Dentro do cockpit um talentoso piloto se concentra a espera da luz verde para iniciar a corrida que poderá lhe dar o título. Certamente, este suposto cenário de uma prova automobilística não terá o glamour costumeiro se, por exemplo, o carro estiver em branco e não existir o burburinho das promotoras e mecânicos com os guarda-sóis dos patrocinadores. Aliás, sem a verba que vem destas empresas seria impensável qualquer cena semelhante. Automobilismo, além da emoção que a velocidade proporciona, é "Business". Um negócio que impulsiona milhões de dólares em todo o mundo e que, sem dúvida, é bom para patrocinados e patrocinadores. Uma realidade que vem sendo percebida por um crescente número de empresas no Brasil e que pode ser ainda mais lucrativa se administrada com sabedoria.

Um dos maiores exemplos que o lucro de um patrocínio bem explorado é uma via de mão dupla é a relação McLaren / Marlboro que perdurou por vários anos. Afinal, se não fosse a verba da Phillip Morris, dona da marca de cigarros, a escuderia inglesa provavelmente teria dificuldades para se transformar em uma das maiores equipes do automobilismo mundial. Mas a contrapartida também é verdadeira. Se não fosse a participação no automobilismo, será que a marca de cigarros seria tão conhecida quanto é hoje?

Com profissionalismo, ambos os lados conseguiram tirar proveito dessa relação que envolve desenvolvimento tecnológico, expressiva remuneração a bons pilotos e uma competente estratégia de marketing. É a comprovação de que, ao contrário do que muitos pensam, patrocinar uma equipe ou piloto é muito mais do que um favor ou doação de migalhas. É um investimento que se torna cada vez mais lucrativo e que pode ser maximizado com uma profissional estrutura de divulgação e merchandising.

Ainda pegando a marca Marlboro como exemplo, o relatório de sua assessoria para o automobilismo no Brasil comprova que, somente com as notícias sobre os brasileiros que correram com a marca entre março e setembro de 1994 (Emerson Fittipaldi, Raul Boesel, Rubens Barrichello, Christian Fittipaldi, André Ribeiro e Tony Kanaan) a Marlboro teve um retorno nos jornais do país de cerca de 21 milhões e meio de dólares. Foram cerca de 3.200 matérias, sendo que 1.455 com fotos. O apurado não leva em conta a exposição da marca nas transmissões e matérias pela TV. Se acrescentarmos também que este retorno da mídia acontece ainda em inúmeros outros países. Chegamos a conclusão que o investimento no automobilismo é um ótimo negócio para a empresa, ainda que possa parecer elevado.

A projeção que o Banco Nacional adquiriu também pode ser citada, mas o retorno não se torna interessante apenas quando o piloto chega à F-1. A Arisco chegou na principal categoria do automobilismo mundial. Mas ela patrocinou Rubens Barrichello desde os tempos de kart, em um sábio investimento de longo prazo, que permite diluir custos e maximizar lucros.

Promoções nas cidades onde a equipe patrocinada e/ou piloto se exibem. Convite para que seus principais clientes compareçam ao autódromo para assistir, com mordomias, uma prova com a participação da marca do patrocinador. Distribuição de brindes para o público e imprensa. Estas são algumas das estratégias utilizadas pelos principais investidores do esporte.

No âmbito doméstico o investimento feito no esporte também é compensador. Um piloto ou equipe de ponta de uma categoria nacional costuma ter, auxiliado por um competente assessor de imprensa, um retorno de mídia de cerca de US$ 2 milhões, sem contar as transmissões das corridas para todo o Brasil. Se levarmos em conta, por exemplo, que uma categoria de Turismo como a Stock Car gasta cerca de US$ 20 mil por prova e que uma temporada de F-Chevrolet pode ser feita com US$ 150 mil, chegamos a conclusão de que trata-se de, no mínimo, um bom negócio.

Os especialistas, no entanto, recomendam que, para maximizar o retorno, é importante também que o investimento perdure além de uma temporada. As contas acima indicam que um único ano já permite que uma empresa tenha um bom resultado ao investir em corridas. Mas, para solidificar sua imagem e atrelar o possível sucesso de sua equipe ou piloto à imagem da empresa, seria importante que essa relação perdurasse, para que todos os segmentos e seus resultados cresçam em conjunto. Ou seja, para que a velocidade do retorno se torne cada vez maior é importante que a relação entre patrocinado e patrocinador seja perene e duradoura. Para tanto, basta começar.


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